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Emergência Radioativa

A Memória De Um Desastre

G1 - Fernando Coimbra fala de indicação a prêmio nos EUA: 'Quase caí pra  trás' - notícias em Cinema

Quase 40 anos após o acidente com o Césio 137 em Goiânia, a nova minissérie da Netflix revisita o trauma que marcou o Brasil. O grande trunfo da produção é, sem dúvida, ter Fernando Coimbra no comando. Ele é um dos diretores brasileiros que mais tenho gostado de acompanhar nos últimos anos, vindo de uma sequência muito forte com O Lobo Atrás da Porta, a experiência internacional em Sand Castle e o excelente Os Enforcados, lançado no ano passado. Aqui, mais uma vez, Coimbra demonstra domínio na construção de atmosfera, ainda que em alguns momentos se aproxime de um tom mais melodramático do que o habitual em sua filmografia.

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Essa ambientação no fim dos anos 80 funciona muito bem e ajuda a sustentar o peso da narrativa. Dos veículos ao figurino, tudo colabora para construir um retrato convincente da época. No elenco vale o destaque para o Marina Merlino no papel de uma das vítimas e a presença de Leandra Leal, que mantém a parceria frequente com o diretor.

Ao mesmo tempo, a série evidencia algo bastante familiar ao contexto brasileiro que é a presença constante da politicagem. Mesmo diante do desastre, decisões e articulações políticas seguem acontecendo dentro da diegese, reforçando um retrato incômodo de como crises desse tamanho também se tornam palco para disputas de poder.

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No entanto, a reconstrução tem escolhas que geram debate. A série funde figuras reais em personagens fictícios para facilitar a dinâmica do roteiro, o que é comum em adaptações, mas a decisão de rodar tudo em São Paulo nos lembra de uma antiga polêmica. Como o Kleber Mendonça Filho costuma pontuar sobre a centralização da indústria no eixo Rio-SP, essa falta de territorialidade em uma história tão específica de Goiás acabou gerando críticas e até notas oficiais de repúdio da região.

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O ritmo é onde a série mais oscila. Em alguns momentos ao longo dos cinco episódios, a narrativa parece girar em torno das mesmas situações, repetindo emoções de forma um pouco excessiva. E quando chega ao desfecho, acontece o oposto e tudo se resolve rápido demais. A história dedica bastante tempo aos primeiros dias após o acidente, ao caos inicial e às evacuações, mas trata de forma apressada as consequências posteriores que pediam um desenvolvimento mais aprofundado.

Mesmo com esses tropeços, o resultado final é uma produção bem feita, que consegue traduzir o peso do maior acidente radiológico do mundo ocorrido fora de usinas e, mais importante, cumpre um papel essencial de manter viva a memória. Em um país que frequentemente deixa o passado de lado, revisitar o caso do Césio 137 não é só válido, é necessário.

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