Fui assistir The Moment completamente às cegas. Sou desligado do mundo POP, então Charli XCX era um nome desconhecido para mim. Na verdade, achei que fosse uma personagem fictícia criada unicamente para o filme. Muito menos sabia que era um falso documentário que supostamente revive os bastidores do fenômeno BRAT, o maior dos seus álbuns.
A sessão estava vazia e sentei algumas fileiras pouco mais afastadas do telão. Quando começou aquele show de luzes piscantes (deveria haver um aviso para epiléticos, pois são MUITAS luzes) eu saquei qual seria o tom do filme e me aproximei sentando em uma poltrona duas fileiras à frente para imergir na experiência sensorial.
The Moment trabalha com uma câmera tremida e alucinada, quase sempre colada aos personagens, por isso quase nunca conseguimos ver os entornos. A iluminação oscila entre strobes agressivos (que produzem luzes piscantes intensas) e um difuso saturado, com certas cenas exibindo vultos e imagens duplicadas que fragmentam a figura dos personagens. A montagem é hiperdinâmica: planos que muitas vezes duram menos de um segundo antes de cortarem para outro. As imagens desaparecem antes de significar alguma coisa.

Vivemos em um mundo rodeado de estímulos e virtualizado: entramos no Instagram e rolamos reels atrás de reels. O vídeo mais importante é sempre o próximo e, quando passamos para baixo, já não lembramos do que vimos anteriormente.
O que o filme protagonizado por Charli XCX faz é, justamente, incorporar essa estética e levá-la às últimas consequências. E, ao fazer isso, amplia o comentário: fala da indústria musical, onde sucessos são esquecidos na semana seguinte de seu lançamento; expõe o mundo de aparências que envolve esses artistas e com isso encena a alienação da própria cantora no meio desse turbilhão; por último, dialoga com o álbum e com sua estética hyper-pop.

Num paralelo talvez distante, me lembrou a experiência que tive com Tenet, de Christopher Nolan. As explicações, a verborragia, a montagem acelerada – elementos típicos de seus filmes – são levadas ao limite, até o ponto de não fazerem mais sentido. O efeito dessas explicações verbais, incorporadas a imagem, passa a ser meramente estilístico.
The Moment também lida com essa carga verborrágica exacerbada e sensorial de diálogos e imagens tão voláteis que são difíceis de assimilar, te levando, muitas vezes, ao tédio. Chegou uma hora em que, assim como em Tenet, parei de tentar compreender e só olhava aqueles flashes de luzes e os movimentos dinâmicos na tela sem entender muito o que ocorria. Meio apático? Sim. Mas ainda admiro o exercício formal, proposital ou não.



